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Socorro, chamem os carabinieri!
Fabiano Keller - 21/05/2007 - 14:53
 
O Brasil está pior que a Itália dos anos 80. O cenário da corrupção está quase igualzinho. A corrupção chegou a praticamente todas as atividades, misturando empresas privadas e empresas públicas, gente comum e autoridades e políticos num caldeirão só, imenso, podre.

Na Itália, quando a Justiça resolveu trabalhar, foi uma limpa geral. Aqui, a Polícia Federal prende, com autorização do Supremo Tribunal Federal para isso. Mas juizes menores soltam os presos sem nenhuma cerimônia. Escrevem habeas corpus como se fossem receita de xarope pra tosse. Anulam ordens de uma instância que deveria ser superior, o STF, por conta de uma autoridade que se auto-atribuem a bel prazer.

Na Itália, a Operação Mãos Limpas prendeu milhares de pessoas. Não apenas da Máfia, mas políticos, policiais, juizes e magistrados, advogados. Não tinha habeas corpus pra libertar ninguém. As famílias eram presas juntamente com os criminosos, esposas, filhos. Quem podiaa atrapalhar as investigações ficava preso também. Os criminosos eram isolados, não podiam falar com ninguém, nem com seus advogados. Não tinham regalias na prisão nem eram tratados como personalidades, como aqui.

Duas das personagens mais importantes dessa época foram os juizes Giovanni Falcone e Paolo Borsellino. Morreram emboscados, os dois. Mas não sem antes promover uma limpeza real nos órgãos federais, estaduais, empresas, entidades criminosas.

Por aqui não há nomes famosos do lado do bem. Há do outro lado: Marcos Valérios, Robertos Jeffersons, Delúbios, Zés, Gautamas, Vedoins. Ganham mais notoriedade os suspeitos do que policiais e autoridades. Aliás, suspeito brasileiro é sempre suspeito, nunca é transformado em criminoso.

Nós até que nos surpreendemos com a eficiência com que prisões são anunciadas. Saem no Jornal Nacional, nas primeiras páginas dos principais jornais, dão farto noticiário nas emissoras de rádio e correm céleres pela Internet, onde as notícias são atualizadas quase que de hora em hora, numa rapidez incrível.

Sanguessugas, máfia das ambulâncias, dossiês políticos, corrupção de autoridades, propinas, tudo entra e sai do noticiário e nada, absolutamente nada acontece. Se as coisas chegam muito perto de autoridades maiores, elas dizem que não sabem de nada. Se ameaçam senadores e deputados, faça-se uma CPI e arquive-se.
Para cada juiz que autoriza tem sempre mais do que um juiz para desautorizar. O empreiteiro acusado desmente prova oficial sem nem ficar vermelho. Político diz que é inocente e seus pares acreditam e dão salvo conduto.

O povo vê, escuta, lê, mas já perdeu a vontade de se importar. Acha bonitos os nomes das operações: Navalha, Furacão... Mas não acredita mais. Porque lhe tiraram a fé. Não resta mais nada e cada operação dessas é mais um motivo para não acreditar. E vem eleição e ele vota de novo nos mesmos nomes que se repetem ano após ano, eleição após eleição, corrupção após corrupção

Tem de chamar os carabinieri, os soldados italianos que prendiam. E que a Justiça, com letra maiúscula, não soltava.

Socorro!

Fonte: www.narizdepalhaco.com.br
   
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