A nova lei eleitoral, a 11.300/06 também chamada de minirreforma política, está mudando os rumos das campanhas e trazendo impactos negativos para as empresas que a cada dois anos ganhavam um reforço de caixa provocado pela demanda dos candidatos por produtos de divulgação.
É o caso, por exemplo, das empresas de brindes como camisetas, chaveiros, bonés e outros artigos, e as de mídia exterior, como outdoor, ferramentas proibidas pela nova Lei. “Considero esta Lei um engodo e uma violência. Estão penalizando um segmento legal que presta serviços e emite nota fiscal”, avalia Carlos Aquino de Oliveira, vice-presidente da Federação Nacional das Empresas de Mídia Exterior, diretor do Sindicato das Empresas de Publicidade Exterior (Sepex-BA) e proprietário da Plural Mídia Exterior.
Outra polêmica criada pela nova lei diz respeito a sua eficácia no real controle e redução de gastos de campanha. Para a maioria dos especialistas, isto não irá ocorrer, uma vez que as verbas deverão migrar para outras ferramentas de comunicação permitidas pela legislação. “Não me parece que esta Lei seja suficiente para coibir distorções como o Caixa 2, por exemplo. Acredito que ela seja inócua, inclusive na redução do custo de campanha. A única ação positiva é realmente em relação à estética das cidades”, avalia o advogado Euberlândio Guimarães, especialista em direito eleitoral. “Outra vantagem é que as agências e candidatos terão de ser mais eficientes e fazer campanhas mais profissionalizadas, o que é um fator positivo para as agências”, completa.
Perdas – Polêmica ou não, o fato é que as empresas, algumas que inclusive fizeram investimentos para atender à demanda política, já começam a contabilizar as perdas provocadas pela nova legislação. A Aquarius Brindes é uma delas. “Nós já tínhamos começado a treinar pessoas da comunidade para atender à nossa previsão de aumento de pedidos”, diz a proprietária Mara Danúzia Silveira. “Nossa projeção era de um faturamento da ordem de R$ 500 mil em kits políticos. Agora nem sabemos como vai ficar, porque nem mesmo está claro o que é ou não considerado brinde”, reclama.
A Uranus2 Comunicação também prevê uma queda de até 90% na receita prevista com o segmento político. “Só para exemplificar, o tamanho permitido para as placas caiu de 27 metros quadrados para 4 metros quadrados. Isto significa cair de um valor de R$ 2,7 mil para R$ 400”, demonstra o diretor-presidente da Uranus 2, Pedro Dourado, lembrando que ainda há outras perdas como a proibição de banner de passarela, plotamento de trios elétricos e outros materiais gráficos. O empresário adquiriu uma nova máquina impressora, contando especialmente com este nicho de mercado. “Agora estamos redirecionando nossas ações para captar clientes de outros segmentos. Não vamos ficar chorando sobre o leite derramado”, avisa.
Para o setor de mídia exterior, o impacto também não será pequeno. O proprietário da Plural Mídia Exterior, Carlos Aquino, explica que a taxa de ocupação das placas, o termômetro financeiro do setor, não terá o crescimento esperado. “Nesta época a taxa de ocupação passava de média de 60% a 70% normalmente para 90% ou até 100%”, lembra. “Contávamos com este crescimento neste período, o que agora não vai mais ocorrer”, completa.
Fonte: SINAPRO Bahia
Rafael Gomes
fael_ejc@yahoo.com.br
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