Os jornais impressos não estão mortos: estão bem vivos e "esperneando". A garantia é do CEO da Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês), Timothy Balding, que abriu na manhã desta quarta-feira, 30, o ciclo de palestras do 6º Congresso Brasileiro de Jornais, em São Paulo.
Balding rebateu com números e estatísticas a matéria de capa do último número da revista The Economist, na qual se afirma que 2005 foi um ano ruim para os jornais, que estariam perdendo circulação e receitas publicitárias. O levantamento da WAN feito em todos os 216 países onde se publica algum jornal mostra que a circulação, na verdade, está crescendo: a dos diários pagos aumentou 6% nos últimos 5 anos. Se for computada também a circulação dos jornais gratuitos, esse percentual sobe para 7,8%. No Brasil, porém, apesar de em 2005 a circulação ter crescido 4,09%, no acumulado dos últimos cinco anos as vendas de jornais recuaram 11,4%.
Já as receitas publicitárias cresceram 11,7% nos últimos cinco anos (em termos globais), sendo que só em 2005 o crescimento foi da ordem de 5,7%. Mesmo com esse bom resultado, a fatia dos jornais no total das verbas investidas em mídia vem caindo - de 32% em 2001 para 30% em 2005, segundo a Zenith Optmedia. Já o consumo de jornais online está em franca expansão, com crescimento de mais de 200% no período de 2001 e 2005.
A previsão da Pricewaterhouse Coopers é de que a publicidade na internet, na região da América Latina, vá saltar de R$ 181 milhões em 2005 para R$ 512 milhões em 2010. Outro estudo, este da própria WAN (feito com 72 jornais de 45 países), mostra que a receita dos jornais com classificados online cresceu 52,4%, enquanto na versão impressa o crescimento da receita publicitária de classificados foi de apenas 5,3%.
Balding ainda destaca o fenômeno dos jornais gratuitos, que hoje respondem por 6% da circulação total de diários no mundo. Já são mais de 200 títulos e 30 milhões de cópias diárias. "É preciso ficar atento para que os novos produtos não 'canibalizem' a publicação principal", lembra Eduardo Tessler, diretor para o Brasil da empresa de consultoria Innovation Media Consulting.
Fonte: Meio e Mensagem
Rafael Gomes
fael_ejc@yahoo.com.br
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