Houve tempo em que associar uma marca a um camarote no Sambódromo carioca era a melhor investida em exposição durante o carnaval. Hoje esse recurso já não basta. Na corrida por ocupar os mais eficientes espaços junto ao consumidor, os grandes patrocinadores deixam a avenida para tomar posição entre os populares blocos de rua. Tendência que, embora mais evidente no Rio, ganha fôlego em outras praças.
A cervejaria AmBev elegeu a marca Skol para bancar 19 blocos que vão brincar pelas ruas cariocas. Criou para a temporada um 'carro bar' que põe a loira gelada ao alcance da mão dos foliões. Mas não apenas no Rio. A marca também investiu pesado na Bahia. 'As empresas escolhem as festas que têm perfis e afinidades com sua proposta', explica Gal Barradas, diretora de atendimento da F/Nazca Saatchi & Saatchi. 'Salvador é um caldeirão cultural do Brasil e uma praça inovadora para marcas que querem atingir os jovens.'
Em Salvador, os 120 blocos contabilizados pelo diretor da Empresa de Turismo de Salvador (Emtursa), Gorgônio Loureiro, desfilam em dois circuitos preestabelecidos e mobilizam multidões que chegam a 2 milhões de carnavalescos em quatro dias de desfiles.
O Sambódromo, no Anhembi, foi prejudicado pela Lei da Cidade Limpa, que baniu propaganda na parte externa em torno do local. 'Isso atrapalhou as negociações do carnaval paulistano, que vem crescendo', diz Alexandre Marcelino Ferreira, presidente da Liga das Escolas de Samba. 'Para termos um carnaval como a cidade merece, precisaríamos de algo em torno de R$ 45 milhões, mas hoje arrecadamos cerca de R$ 20 milhões.'
'Somente nos ensaios das escolas de samba, que antecedem os desfiles durante cinco finais de semana, uma marca pode atingir até 140 mil pessoas', diz ele. Nas quadras das escolas, muitas marcas já ocupam lugar de destaque.
Fonte: O Estado de São Paulo
Fabiano Keller
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